Mundo
UNESCO alerta para a degradação do património ambiental no mundo
Um relatório da UNESCO, divulgado esta terça-feira, apresenta a primeira avaliação global de mais de 2.260 Sítios do Património Mundial, Reservas da Biosfera e Geoparques Globais. Uma avaliação que alerta para o estado do património ambiental no mundo e que corre atualmente sérios riscos de degradação, devido a desastres naturais, mas também pressão urbana.
No relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, onde foram analisados patrimónios, geoparques e reservas de bioesferas, de mais de 2200 lugares, os trópicos estão sob especial atenção.
Rosário Salgueiro - RTP
O relatório dá ainda conta que há registo de um amento de 40 por cento de locais afetados por desastres. Em Portugal, são os incêndios que captam a principal preocupação.
Apesar dos problemas crescentes, as populações de vida selvagem mantêm‑se relativamente estáveis dentro dos sítios designados pela UNESCO, ao contrário da tendência global de forte declínio da biodiversidade.
O relatório sublinha que estes sítios não são apenas áreas protegidas, mas espaços vivos, fundamentais para a água potável, a segurança alimentar, o emprego, o turismo sustentável e a resiliência climática das comunidades locais.
Limitar o aquecimento a 1.°C pouparia metade dos sítios mais ameaçados
A UNESCO defende que metade dos seus sítios mais ameaçados, incluindo florestas, glaciares e ilhas, poderão ser salvos de danos irreversíveis se a comunidade internacional conseguir impedir que o aquecimento global ultrapasse 1.°C até 2050.
A UNESCO defende que metade dos seus sítios mais ameaçados, incluindo florestas, glaciares e ilhas, poderão ser salvos de danos irreversíveis se a comunidade internacional conseguir impedir que o aquecimento global ultrapasse 1.°C até 2050.
Segundo os autores do relatório, "uma diferença mínima de temperatura pode levar a um aumento incrível dos riscos", aludindo a uma eventual subida da temperatura global em mais de 1.°C até 2050.
"Limitar as emissões de gases com efeito de estufa é agora crucial. Por cada grau que evitemos, poderíamos reduzir para metade o número de sítios que ultrapassam os pontos de inflexão críticos", disse Martin Delaroche, especialista ambiental da UNESCO.
Atualmente, um em cada quatro sítios Património Mundial da UNESCO pode atingir pontos de inflexão (que ocorrem quando os danos se tornam irreversíveis) e sofrer alterações significativas já em 2050.
Se estas alterações ocorrerem, estima-se que, até 2050, "os glaciares terão desaparecido completamente num terço dos sítios da UNESCO que os albergam", incluindo todos os três glaciares do continente africano (Monte Quénia, Monte Kilimanjaro e Montanhas Rwenzori).
Além disso, segundo Delaroche, o aquecimento das águas provocará "branqueamentos de corais em grande escala" --- o que poderá levar a uma redução desta espécie marinha crucial --- bem como "stress hídrico crónico" que alteraria as funções das florestas.
Quase 900 milhões de pessoas vivem atualmente em áreas protegidas, representando 10% da população mundial, estando documentadas mais de 1.000 línguas.
c/Lusa